sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Tintos especiais e superbrancos




Algures em lugar seguro, escorreram acompanhadas de uma canja de PERDIZES(plural de meia perdiz)e de umas sopas de lebre.
Troika aqui/ troika ali/ só a mim não troika nada... (NHETACATÉF.....!)

domingo, 4 de dezembro de 2011


ENCONTROS IMPROVÁVEIS
(ou nem tanto)





Talvez que situações de depressão propiciem ocorrências com significado relevante, ou talvez que tudo não passe de simples incidentes circunstanciais, aos quais atribuímos um significado que na verdade não têm.
O certo é que os dois recentes sexagenários se deparam na baixa de Faro, após uns bons quarenta anos sem se verem, quiçá desde os tempos das traquinices liceais.
Ela, discreta, de comportamento sóbrio, aparentando algum cansaço e desilusão, que a idade, de resto, já não lhe permite esconder, mas ainda assim surpresa e contente pelo inesperado do encontro.
Mas ele, cabelo branco ao vento, melenas ralas e irreverentes, ajeitadas de quando em vez para trás, com ambas as mãos, num gesto cuidadosamente displicente, verbo fácil, nem sempre fiável. Não fora a penca abatatada e a pança proeminente, denunciando um passado algo pinguço e brejeiro, dir-se-ia que se estava perante um veterano actor de pacotilha de filmes da série B.
A conversa de ocasião fluiu com a necessária conveniência:
Então como estás minha querida amiga?
Bem, graças a Deus, à beira da desejada reforma, com uma pensão pouco menos que razoável para passar melhor ou pior os meus dias. E tu, que fazes?
Eu, o teatro tem sido a minha paixão e a ele me tenho dedicado! Tenho feito também um pouco de cinema e intervindo em algumas novelas, voando entre Portugal e o Brasil. Ah, mas agora entreguei-me de alma e coração ao voluntariado. Encontrei a minha missão e a ela me dedicarei com o empenho que me é reconhecido.
Despediram-se, ela escondendo a sua admiração num sorriso afável, ele com uma gargalhada alvar e segura, mas ambos com sincera amizade.
Para uns, o futuro triste e sombrio. Para outros os amanhãs que cantam, no conforto consigo próprios.
Seguramente o sol não brilhou nem brilhará para todos nós!

Jorge Leiria

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

1929 - Faro e arredores

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Fado Republicano

Na última Tertúlia, já em fase de rescaldo musical, bem depois do Jorge ter fugido da mesa olhando de solsaio o Gil que ameaçava com "Com a mala na mão passa apressada", saiu à baila um Fado Republicano, de Coimbra. Sim, republicano, pois cantava-se nas Repúblicas. Estávamos nos finais da década de 60 do outro século. O francês era a primeiríssima língua estrangeira do nosso ensino, não fosse a cultura francesa a que dava cartas. "Era fino falar piano e tocar francês". Apareceu nessa década uma variante das nossa línguas, o "françuguês", muito em voga nos meses de Julho e Agosto, quando os nossos emigrantes regressavam ao torrão natal(não Alicante)para matar saudades da família, do garrafão de vinho, do salpicão, da sardinha ... e exibir o Renaulte de 4 vitesses e peneus miquelim cruz. Durante muitos anos honraram-nos com as suas remessas e com histórias. Hoje honram-nos também com uma presença marcante nas culturas que abraçaram.
Nesses bons tempos lá se iam conseguindo uns engates turísticos, estrangeiros ou não, para mostrar aos visitantes o que era uma República e havia sempre um repúblico que sacava da viola e animava a rapaziada e a raparigada. Da animação faziam parte Adamo, Polnareff, Elvis, Beatles... e, em momentos mais sérios, António Bernardino, Duarte e Ciríaco, Luís Gois, Zeca Afonso, Jacques Brel...Pelo meio, volta e meia, "Casei, tive um menino" que as visitantes estrangeiras não entendiam mas riam-se, porque nós riamos a bom rir, mais não não fosse, pelas caras espantadas que elas faziamm...Entra aqui também o tal fado republicano, cantado em françuguês, de seu título "Quand je vois une madamme". O Afonso pediu para publicar. A letra tem variantes mas, à distância, anda por aqui:

Fado republicano coimbrão

(Cantava-se nas Repúblicas, com letra interactiva)

Quand je vois une madamme
Dans la rue se promener
Je lui dis tout de suite
Savez vous parler Francais
Oui oui me repondit
La damme acenando o leque
Et vais je comme un catite
Je vais ter com elle avec

Mais se une riche soupière
De seios desenvolvu
Elle se lance sur ma tête
Tout amarrée au cou
Je vais logo troc troc
E en chegando ao pé de le
Je lui dis: - je vous aime,
Aimez vous também a je.

Se elle repond oui
J´etais fique amarelle
Mais s’elle repond non
Quell doleur de cotovelle
Je fique espumando rage
Et je m’esquece d’amour
Je vais directe à la gaje
Et je marre marre toujours.


Anónimo Sec XX

Quando o Afonso está a pedir a publicação deste inédito, o Botas saca de uns óculos com armação de design moderno, que retirou de embalagem colorida, aos quadradinhos, para ler um fado que trazia o Zé Gomes. Diz o Afonso, repentista como sempre
- Moss, desde que andas com umas lambedoras deste em comprar óculos abichanados...
O velho mau não perdeu oportunidade de confirmar a escolha duvidosa do material oftalmológico exibido.

Em tempo:
Durante boa parte do jogo que deu a SPORTUGAL(tinha uma data de rapaziada que passou ou está no Sporting)uma grande vitória, uns quantos milhões de portugueses esqueceram a troica, as tricas e até o truca-truca... Só trincas nas unhas, que alguns deram em momentos de maior aperto...

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Em torno do Alicante





Há dias dizia-me um amigo, que vai dando uma olhadela ao blog, que importa preservar o encontro desta rapaziada que às quartas vai perorando sobre isto e aquilo, gajas, literatura, cinema (agora com o Gil dispensámos o telecine e pedimos os filmes das nossas vidas, que aparecem na semana seguinte), de gajas, de gajos, de fado...
Cá vou registando pequenos nadas que vão fazendo a grandeza dessas quartas que no espectro electromagnético vão arranjando um cantinho para da lei da vida se irem libertando. Pois bem, numa das últimas sessões saiu à baila um azeite que no pão da casa fez a delícia dos tertuliantes. Sem nada combinado o Afonso apresentou um Alicante Bouschet, monocasta, julgo que da Adega de Pegões, não posso afirmar(se não for, que fosse, pois vai ficar registado como tal). Claro que quando trazemos um vinho para prova, a preços que a crise vai permitindo (aí pelos 4/5 euros), esforçamo-nos para fazer valer a qualidade do produto. Pelo sinal, bem interessante. Relação qualidade/preço acima de qualquer suspeita.
De qualquer forma eu disse que, para mim, Alicante era mais para o Torrão. Passado algum tempo, já a conversa seguia outro rumo, quando o Jorge, alheado, atira para a mesa:
- Mas é o Torrão que é de Alicante ou Alicante é que é do Torrão?
Aí o Botas não perdeu a oportunidade de atacar violentamente, dizendo:
- Ai se fosse eu a proferir uma barbaridade dessas...
O francês, atento como sempre, fazendo aquele vai-vem com o dedo médio da mão direita hirto (em postura marsapial), na direcção da boca(em pose vaginal), dispara:
- O velho mau não te largava...
O Jorge puxou da garrafa para refrescar a testa e foi dizendo
- Bom, bom...Hoje os rapazes estão muito solidários...

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Sporting vai às "boxes"


O Sporting estava uma máquina a jogar futebol. Se comparássemos a equipa a um automóvel, onde o travão é defesa, o meio-campo a suspensão e a avançada o acelerador, o que é que vemos:Uns travões onde o ABS ainda não funciona e anda quase sempre com falta de pastilhas novas (não fizemos 2 jogos seguidos com uma dupla de centrais a sério), mas ia dando para manter o carro na corrida. O acelerador vai disparando, com o Capel e o Carrillo, mas engasga-se sem o Wolfswinkel ou então os cabos partem-se com facilidade (Jeffren e Ismailov). A suspensão é que era o ponto forte da máquina (de um autêntico Boca de Sapo). Agora a suspensão traseira partiu-se (Rinaudo).
Vai ser difícil manter o carro na corrida!

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Isto não fica assim. INCHA!



...
E vai ao fundo
Vai ao fundo sim senhor
Que vida boa era a de Lisboa

Fausto in "Por este Rio Acima"