quinta-feira, 1 de julho de 2010

Uma proposta para o bem estar dos pinguços


Após uma longa jornada de luta, iniciada noutras paragens, que se desenrolou ao longo de toda a tarde e parte da noite, a fadiga apoderou-se-me das "gâmbias" e veio-me a ideia da imagem em anexo. Ao tertuliano engenheiro mecânico solicita-se o projecto técnico.
Convém ainda registar o excelente tapeamento de ontem, já que a acta ficou por elaborar, tamanha era a "lanzeira" provocada pelo bafo quente da noite.
Uma cabeça de suíno devidamente fragmentada, "esquisitissima" como dizem os espanhóis para designar o carácter refinado de uma iguaria (ficou-me o espanhol no subconsciente depois da derrota de Portugal, essa também esquisitíssima, mas de acordo com o significado do adjectivo em português). Uma estupeta de atum fresquíssima, como exigia a temperatura e uma saladinha de polvo mais uma vez bem trabalhada.
Cante alentejano durante a tarde e "music hall" à noite alegraram o espírito, tanto como o super branquinho.
Podia-se viver sem a Adega Amável? Podia-se, mas não era a mesma coisa!
Tertuliano Caló

domingo, 27 de junho de 2010

A carta do marítimo de Olhão


Tratando-se uma das peças mais emblemáticas da "fala" de Olhão, terra ímpar nas história e cultura algarvias, publica-se a famosa carta que, tal como a foto, foi retirada do blogue APOS, um excelente trabalho de António Paula Brito em prol da sua terra.

"Farcisca
À díase, do mar dâse Berlêngase, a sete bráçase e mêa d' água, embararem-se-m' âze grósêrase, cande vê de lá o mariola do tê pai e me dezeu assim :
- Ó hôm!!! tu ése um montanhêre, hôm! Tu fázez um grande salcrafice em virese ó mar !!!...
- Má o que é que você me dize, hôm?!
- Digue-te iste e nã casase ca 'nha filha !
Alha-me-ze Farcizeca ! ê cá ântese cria cu tê pai me dèsse doi ó trê estragaços da cara, q'êl me dessesse aquil que tá ali à vizete de gente!

Viémese pá terra e a companha do barque nã falava doutra coisa.
Nísete, vê de lá o mane Zé Xaveca e me dezeu assim:
-Mó, ó móce! Na te zánguese, ná t' arráleze, móce! Taze-te arralar?
- Atão nã m´ êde arralar?
- Nã te ralese rapá, se nã casáreze c'a filha dele casaze cá c'a minha hôm!


É p'a que vêisase, Farcizeca, quê cá inda tenhe pretendêntase. Tu pensase cú tê pai é o Prencêse D.Carlos? A tua mãi a Rainha D. Imélia e os tês ermãos os Enlefantesinhos ?
Alhamese ! ele é mai brute cá mãi dos penhêrese do mane João Luice.

Dêxa lá cuma viage quê face ó mar de Larache , ganhe o denhêre às braçadase. Compre um chapé de côque, uma vengala, botas de rengedêra com tapadôiraze, passe a barlavante da tu porta e arraste os peses cóm' um gal. Tu vêse-me e falase-me, mai ê cá veje-te e nã te fale.

Mai, sê cá sentir alguma coisa do mê côrpe, ai 'nha mãe!!! Digue logue que forem vocêiaze que me fizerem mal! Qu'ê cá nã quér que vócêiaze andem a falar mal de mim p'êssese tânquese e rebêrese!

Ê bem sê que tu tenz' uma linda máineca de quez'tura, mai ê cá na sei s'èze tan prefêta de mãoze come dizeze.

Na m'arrale! Cá só quer que tu t'allêmbreze dos mês doze brenhoisinhes (ponha lá iste da carta,mano Manel, qu'ela já m'entende).

Digue tiste e nã memporta com o pôrque do tê pai.
Perdoi a arção.

Embróise"

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Poesia amável


Com dedicatória especial ao meu amigo Afonso Dias, aqui vai um poema da Hélia Correia

Só assim será poema

Que o poema tenha carne
ossos vísceras destino
que seja pedra e alarme
ou mãos sujas de menino.

Que venha corpo e amante
e de amante seja irmão
que seja urgente e instante
como um instante de pão.

Só assim será poema
só assim será razaão
só assim te vale a pena
passá-lo de mão em mão.

Que seja rua ou ternura
tempestade ou manhã clara
seja arado e aventura
fábrica terra e seara.

Que traga rugas e vinho
berços máquinas luar
que faça um barco de pinho
e deite as armas ao mar.

Só assim será poema
só assim será razão
só assim te vale a pena
passá-lo de mão em mão.


Hélia Correia é mais conhecida como ficcionista, mas que está incluida na Antologia Poesia 71, de Fiama Pais Brandão, lá isso está; que José Fanha a incluiu na sua Antologia Poética da Resistência, é verdade; que Mafalda Arnaut, Vitorino, Amélia Muje, Cristina Branco, Janita Salomé,José Jorge Letria e o GAC(Viva a Ronda da Alegria), entre outros a cantaram, é certo; que esteve quase a ganhar o prémio Camões pelo ecletismo da sua obra - ficção, poesia e teatro- também é verdade.

Do seu livro de poesia Pequena Morte/Esse Eterno Retorno - 1986

Contigo partilhei
os vários leitos dos amigos dispersos. Mesas, sumos,
os degraus mal ardidos do terror.
Contigo um pouco em cada aldeia, enquanto
nada de nós podia ultrapassar
as paredes dos outros que jaziam
no repouso ......

Que o Caló embeleze o post, que para isso não tenho arte.

Augusto Miranda

domingo, 20 de junho de 2010

José Saramago e o conflito com Deus



"Entre o homem, com a sua razão, e os animais, com o seu instinto, quem, afinal, estará mais bem dotado para o governo da vida? Se os cães tivessem inventado um deus, brigariam por diferenças de opinião quanto ao nome a dar-lhe, Perdigueiro fosse, ou Lobo-d'Alsácia? E, no caso de estarem de acordo quanto ao apelativo, andariam, gerações após gerações, a morder-se mutuamente por causa da forma das orelhas ou do tufado da cauda do seu canino deus?" (José Saramago - In Nomine Dei).

A existência de deus e do seu poder e veículos de comunicação com o homem, questão pertinente, sempre actual, e recorrente na vida e obra de José Saramago (leia-se José Saramago em abordagem directa, em, "Segunda Vida de Francisco de Assis"; "Evangelho segundo Jesus Cristo"; "In Nomine Dei"; "Caim").

As minhas homenagens a este grande e vertical pensador, escritor e homem.

Tertuliano Jorge Leiria

sábado, 19 de junho de 2010

A Selecção Nacional, os caracóis e o Futebol Clube "O Victória"




Tinha visto as cores verde rubras arrastarem-se lentamente, sem chama e sem ímpeto contra os elefantes da costa do marfim. Quedei-me desiludido e pachorrento e ocorreu-me a imagem dos caracóis. Quem igualmente o pensou, melhor o disse. Eis senão quando o amigo Chico Zé (na foto) telefona e convida para ir comer dos ditos gastrópodes à sociedade recreativa mais emblemática do Alto de Rodes, na companhia do tio Américo.
Magníficos, trazendo à memória aquilo que era a referência da caracolada ao fim da tarde - o quintal da tia Margarida no Monte Negro! Estes, também dos nossos, apanhados no restolho, deixados de quarentena (para tirar algum resto de verdum), lavados em várias águas, removidos os mortos (para não deixarem mau gosto), temperados a perceito de sal, alho, limão e paus de oregãos (já que o excesso de folhas do arbusto os tornam amargosos) e acolitados com umas batatinhas novas cozidas na aguagem, como berlindes, a dar o ar da sua graça.


Vetusta e venerável agremiação fundada em 1931 (imagem ao lado), também designada pelas pessoas do bairo como a CUF, por ter pretendido ser ou tendo sido mesmo sucursal da CUF do Barreiro, promoveu ao longo dos anos festas populares no largo do chafariz (imagem abaixo) e mantém uma respeitável actividade de apoio social à comunidade do bairro, que procura ocupar o seu tempo com um petisco, um jogo de cartas ou umas imagens de televisão, numa tertúlia amável, fraterna e bairrista.

Longos anos de vida ao Futebol Clube "O Victória", boas caracoladas e, valha-nos Deus, boa sorte às cores verde rubras:
Tertuliano Jorge Leiria

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Hino da Adega foi ontem para o prego


Dada a circuntância de não haver pompa, foi a singeleza a imperar na colocação do Hino nas nobres paredes do edfício-sede da Tertúlia. Descerrou o quadro, onde pode ser lido e apreciado o poema, o Taberneiro Mor, João Domingos.
A peça que, foi mandada executar pelo tertuliano Miranda, prima pela sobriedade dos tons, onde se destaca o verde de uma moldura clássica, que acolhe a letra do Hino da Adega Amável, escrito em letra Verdana, tamanho 14, com espaçamento 1,5 nas suas linhas, sobre papel pardo reciclado.
Presidiu à cerimónia o Tertuliano Leiria, como mais antigo frequentador daquele espaço.
O Taberneiro Mor proferiu algumas palavras alusivas ao acto, deixando-se trair pela emoção que o assaltou, não conseguindo disfarçar um certo embargo na voz nem ocultar umas caganitas que lhe saltaram aos olhos.
A marcar o evento, uma excelente petiscada: saladinhas de polvo e de orelha de porco, feitas a preceito e, como conduto principal, uns fabulosos carapauzinhos fritos acompanhados por uma canónica tomatada.
Bebeu-se espumante: Bruto Rosé Luis Pato (casta baga) e um Bruto Branco Casas de Monção (casta alvarinho).
Bebeu-se um verde caseiro de Felgueiras (casta gadelhudo), trazido pelo tertuliano com o mesmo nome (Felgueiras, não gadelhudo!)
Como não podia deixar de ser, o supertinto também marcou presença no canjirão da murraça.
Presentes ainda os que fazem falta, os habituais e os outros.
Cantou-se o Hino, com muitos bis.
Bem hajam!
Tertuliano Caló

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Ainda dentro via verde


Comenta o tertuliano Felgueiras que, cumpridas as condições objectivas e subjectivas, apresentará pomada semelhante ao "gadelhudo" trazido ao nosso convívio pelo confrade Miranda. Das duas, três! Ou foi motivado pela notícia, ou já o tinha mas estava com medo de não brilhar, ou está a "blefar"! Fica desde já OBRIGADO a apresentar a dita pomada, INDEPENDENTEMENTE da ementa! Isto aqui não é nenhum cruzeiro de luxo! Nem que seja apenas para acompanhar as "zêtonas" do tertuliano Grosso, por sinal EXCEPCIONAIS, e acabadas! Até porque nunca há desculpas para adiar uma boa pinga!