domingo, 13 de junho de 2010

Como o Fado começou a ser cantado de pé


Ao tertuliano e especialista Afonso Dias, para que corrobore ou contradiga esta referência do Blogue "Alfredo Marceneiro"

"Estávamos no tempo do cinema mudo e os primeiros empresários que contrataram Alfredo Marceneiro foram Artur Emauz e Vicente Alcântara, para o Chiado Terrasse, no propósito de este cantar nos intervalos das exibições cinematográficas, pois o público andava arredado dos espectáculos da 7ª. Arte.
Alfredo Marceneiro e Júlio Proença estavam no auge das suas carreiras, razão pela qual o público começou a acorrer em maior número ao cinema.
Assim, além de assistir ao filme, também ouviam cantar o Fado.
Estes contratos no Chiado Terrasse tiveram um duplo benefício: o aumento das receitas do cinema e a possibilidade de um contacto mais próximo do grande público com os fadistas, que tinham fama de indivíduos de mau porte, o que permitiu a desmistificação dessa ideia de raízes tão perdidas no tempo.
Na sequência destas suas actuações no Chiado Terrasse, Alfredo Marceneiro, que já tinha criado o hábito de se cantar o fado à média luz, tem um dos seus repentes de criatividade e levanta-se para cantar o Fado.
Até esta altura todos os fadistas cantavam sentados e os espectadores mais distantes tinham a tendência de se levantarem, a fim de poderem ver quem estava a actuar. Isto provocava um certo burburinho, que prejudicava as actuações e, com esta atitude de Alfredo Marceneiro, o Fado ganhou outro respeito. A partir desse dia os tocadores e os fadistas passaram a ter um lugar de destaque nas salas onde actuavam e o Fado começou a ser cantado com o fadista de pé."

O estranho caso do misterioso Nani

Não sendo propriamente o "Doutor Ossos", o meu conhecimento empírico questiona-me porque é que uma fractura (ou fissura) na clavícula (ou na omoplata), demora tanto tempo a diagnosticar - com radriografias, ecografias e uma panóplia de ferramentas actualmente disponíveis, sobretudo para atletas de alta competição pagos a peso de ouro. Mais, questiona-me porque é que uma fractura (ou fissura) não é imediatamente imobilizada, ao contrário do que as imagens que até agora se seguiram ao incidente evidenciam.

sábado, 12 de junho de 2010

Frase do dia- Georges Bernanos


Aos pinguços residentes, Jorge (pára)- na foto- e Maurício (matacães)

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O pobre prefere um copo de vinho a um pão, porque o estômago da miséria precisa mais de ilusões que de alimento

Tendo prometido voltar ao assunto, aqui vão mais alguns letreiros curiosos, da mesma fonte, sobre:

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"Barbeiros, Dentistas, Sangradores e Guitarristas! Chegamos a este capítulo! Não se admire leitor da mistura. Era raro o barbeiro que não fosse sangrador e dentista, como era raro o que não tocasse guitarra. A guitarra era tão própria da profissão como a noz que o freguês metia na boca para opôr a bochecha às carícias da lâmina afiada, se êste não preferia o dedo respondendo à pergunta sacramental:
- Quere noz ou dedo?
O que isto nos arripia agora, cercados como estamos de pulverizadores, pincéis, máquinas eléctricas, cadeiras móveis, alúmens,, cosméticos e essências. A banha, o dedo, o mocho de assentar, em tendas infectas, parecem-nos agora sucursais da Inquisição.
O barbeiro, assim como tinha a guitarra acantoada na loja, em que dedilhava, à porta, na míngua de fregueses, tinha fora dela erguida a vara pintada de azul e branco, simbolo das ataduras da sangria, e quanta vez o frasco das sanguessugas a-par da mecha de cabelo e da bacia de sangrar golpeada na aba.
Lá dentro o mesmo utensílio, feito no Rato ou na Bica do Çapato, decorado com flores, aguardava entre as toalhas de franja, o freguês de qualidade ou a chamada a casa do fidalgo que havia mister de pontear de vermelho a polpa do braço.
Mestre lhe chamavam uns; oficial, outros. António Maria Couto fez larga colheita de letreiros nesta classe, cujo pitoresco tem resistido a tudo.
O barbeiro é sempre uma figura típica. No seu tempo - a avaliar pelo que diz o autor de Schetches of portuguese Life and Manners, Costume and Character - devia de havê-los dos bons.
Corramos a lista dos que estropiaram as taboletas, e mereceram o reparo do Taful.
Primeiro três provas das multiplas aptidões dêstes artistas.
A Santa Luzia estava estabelecido

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José Barbosa da Costa Dentista Luzitano, sangrador e barbeiro aprovado

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Na Travessa da Palha lia-se a seguinte a seguinte legenda

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Bichas de boa casta e pegadiças Barbear, corta cabellos, faz barbas por cazas particulares, sangra e aplica remédios

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e, noutro ponto da cidade:

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Joaquim António da Silva Ribeiro Mestre barbeiro de pentear, e barbear, e de amollar toda a qualidade de ferramenta viveiro de bichas

Tho shave dress the hair

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O ofício de amolador também era acumulado pela profissão. Na Bica do Çapato lia-se

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Aqui samolla*

e era um barbeiro também.
Quanto a bichas, a variedade anunciada era considerável. Um barbeiro, na casa dos Padres Vicentes, junto à Praça de Figueira, tinha

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bixas ferozes e pordentes(!)

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para todos os paladares; outro, ao fim da Tapada de Alcântara, anunciava pleonàsticamente

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Bixas para doentes

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um terceiro,aos Olivais, reclamava

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Bixas do Rio*

e ainda havia outro que possuía a seguinte especialidade:

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Bixas excelentíssimas para Senhoras

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que poderia ter, cortêsmente, modificado em

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Excelentíssimas bichas para excelentíssimas Senhoras

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Galante barbeiro!
Para quem tivesse pressa havia, na travessa do Arco do Cego, um

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Barbeiro expedito

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um que era bom e aceado ao Arco da Graça, outro que dizia pentear e fazer a barba separado (nada de misturas), um que fazia crescentes para os calvos, no Rossio, e outros que, àparte as barbas, vendiam pós de Lubeck, vinho do Porto e pomadas de cheiro.
Como sangradores reclamavam-se alguns. Havia, defronte do Hospital de S. José, entre as insígnias do ofício, o letreiro de

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Sangrador iminente

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de cuja "iminência" livrasse Deus os necessitados, e outro que pertencia a um barbeiro-dentista-cirurgião que vendia as "pílulas de família" que se faziam no Porto.
À Lapa, o barbeiro José Moreira Duarte levantava espinhelas caídas; à Guia era a

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Assistencia do famoso

Dentista Pires

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como dizia um painel pôsto à janela com immodesta expressão; na rua dos Correiros era o

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Dentista Estrange

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a quem se faltavam letras não faltava naturalmente a freguesia; e perto de S. Paulo o "professor Dentista João Rodrigues da Cruz", que anunciava, como chamariz, ser sobrinho do defunto Manoel da Cruz. Ex*elente recomendação.
O dentista Meirel, que tinha na taboleta, na sua residência, à Lapa:

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Tira dentes

Meirel

E acautella com remédios os

combalidos

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mereceu a Bocage o seguinte improviso, feito a um seu consulente:

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Do Meirel formas querela

Porque os dentes te dispensa?

Não t'os tirou por doença

Tirou-t'os só por cautela

Bem atalha quem bem pensa

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O desgraçado apenas tomara a mistela do Meirel ficara logo desdentado.
Quero ainda acrescentar o letreiro de um guitarrista que havia na rua de Inveja. Dizia assim:

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Fabrica de cordas de viola e de rabeca para rabecam, e bordões para chapéus, e de todas as côres, e guitarrras

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Outro no Bairro Alto, era desta forma:

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Tocador de guitarra,

dá licções por dinheiro

a todos que o convócão

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E foi o que achei nos Letreiros Célebres à conta desta verbosíssima classe."

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Voltarei à carga com outros letreiros curiosos.

Saudações.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Pensamento do Dia

Quando deixará de ser necessário dizer que os que são contra as bebidas alcoólicas são doentes ameaçados por esse veneno que é a água, tão dissolvente e corrosivo que o escolheram, entre todas as substâncias, para as abluções e barrelas?
Alfred Jarry

Ainda a propósito do Dia dito de Portugal


Maior que a chatice das restrições ao direito de livre trânsito nas nossas ruas ou de termos que apanhar com exibições de poderio militar que toda a gente sabe que não vale um chavo, foi ficar a saber (já que, por motivos terapêuticos, não assistimos) das encomendas que foram "merdalhadas" e feitas comendadores. Haja decência! Terei que dar razão ao desbocado Alberto Jardim? Quem decide neste país é a Opus Dei, a Opus Gay e a Maçonaria?
Assim, com maiúsculas, para vos custar mais a engolir!

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Frase do dia - Charles Baudelaire

"É preciso estar sempre embriagado. Para não sentirem o fardo incrível do tempo, que verga e inclina para a terra, é preciso que se embriaguem sem descanso. Com quê? Com vinho, poesia ou virtude, a escolher. Mas embriaguem-se."